Do corpus à prova EN

Curso / Aula 6 de 6

19 min · caso real sanitizado

O espelho

Objetivo: Minerar as próprias sessões com regras determinísticas antes de acreditar em qualquer narrativa — inclusive a sua — e transformar o que o espelho mostra em regra de trabalho.

Primeiro, em linguagem simples

Depois de auditar o corpus dos outros, a missão apontou o instrumento para dentro: as próprias sessões de trabalho. A pergunta não era “no que trabalhamos?” — era “o que dizemos que fizemos vs. o que tem prova de entrega?”.

A resposta veio de uma regra determinística, não de impressão: um candidato só vira padrão quando ocorre em pelo menos 3 datas distintas. Intensidade num dia só é surto, não hábito.

Abra a camada técnica

O espelho rodou sobre uma amostra determinística de 45 sessões (de 696 relacionadas), produzindo 2.801 ocorrências datadas em 11 classes — e 11/11 passaram na regra das 3 datas. Três achados com recibo:

AchadoEvidência
Inflação de conclusãoTokens de “pronto/done” ≈ 37–38% da base de classes (1.823 hits) contra ≈ 4% de aprovações — e muitos hits sem artefato nem exit code na linha. Linguagem de conclusão ≫ evidência de entrega.
Repetition taxRetrabalho + repetição ≈ 8,9% das ocorrências datadas distintas (249/2.801).
Ruído de boilerplateParte das classes batia em metadados e listagens, não em mensagens — o filtro de ruído muda o resultado, então ele é parte da regra, não um detalhe.

A hard truth. O trabalho mais claramente reiniciado era documental: um material de ensino criado num dia e, no dia seguinte, “refaça do zero, ignore o anterior” — em vez de fechar uma única superfície com prova e parar. E quando a prova real foi pedida numa sessão, o status escrito (“convergido”) foi desmentido pelo próprio checklist do objetivo, todo desmarcado. O espelho não acusa pessoas; ele precifica narrativas.

Limites honestos: regex sobre linhas é observação de linha, não semântica de mensagem; a síntese por modelo é candidata, nunca ground truth; e a análise reconhece a inflação do próprio método (boilerplate de “completed”).

O que fazer com um espelho

Cada achado termina numa primeira ação, não num diagnóstico: claim de “pronto” só conta com comando + exit code no mesmo turno; documento de status nunca substitui gate reexecutado; uma árvore canônica de material por vez — “do zero” exige diff de escopo; retrabalho vira learning versionado, sem PII.

Simulação determinística · dados sintéticos de contagem

Construa a sua regra de evidência

O que conta como padrão? Ajuste a regra e teste contra quatro candidatos (contagens no formato hits · datas · sessões · %ruído).

Configure e teste. A regra da missão real era: ≥3 datas distintas, com ruído de boilerplate declarado.
Os quatro candidatos (dados fixos da simulação)
CandidatoHitsDatasSessõesRuído
linguagem-de-conclusão1.823194035%
refactor-de-sexta5220%
aprovacao-declarada205193070%
rollback-de-feature66111590%